17 de jul. de 2009

Como se portar em uma festa de criança



Primeiro eram as formaturas. Depois os casamentos. Agora chegou a era dos aniversários de criança e afins (como visitas às mais novas mamães e papais). Ao contrário dos dois primeiros eventos, é preciso ter muito jogo de cintura para se comportar direitinho e não aprontar em convescotes do terceiro tipo. Mais difícil ainda é para os que, como eu, não estão nem perto de casar, emansebar, juntar os trapos ou fornicar com fins reprodutivos.

De um sábado pro outro, você passa de um evento em que todos estão alucinados de bêbados, dançando loucamente, num clima de paquera sem precedentes com milhares de gatas no esplendor de seu glamour para outro festerê em que predominam casais comportados, com tias, avós, amigos e conhecidos do trabalho com papos e conversas pra lá de formais e, invariavelmente, sobre a vida da prole em celebração. O que fazer? Como se portar sem ser um idiota-social e, ao mesmo tempo, conseguir algum entretenimento nesse ambiente nada favorável?

Para tanto, resolvi elaborar algumas dicas, a maioria baseada em experiências próprias e de amigos próximos. Vale lembrar que elas só são válidas caso você não tenha filho ou não esteja “grávido”, pois, neste caso, o seu interesse em papos sobre a consistência fecal dos pequenos crescerá exponencialmente.
Dica número 1:

Ao chegar no ambiente, procure de cara alguém que seja tipo o seu melhor amigo, independente da situação paternal dele. Grude nele e tente criar um clima “mundo da lua”, falando de futebol, rock and roll, mulheres e de temas correlatos, como se não houvesse zilhões de pirralhos alucinados correndo e berrando no recinto. Além de se tranqüilizar um pouco, você propiciará momentos de alívio para o seu conviva que já deve estar perdendo os cabelos de tantas noites em claro e exclusão social causadas pela nova vida de pai. Pronto. Todo mundo feliz.

Dica número 2:

Guerra é guerra. E o bom guerreiro não escolhe o campo de batalha. Ele bota a faca entre os dentes e, mesmo em condições adversas, o máximo que vai fazer é repensar a estratégia de atuação. Afinal de contas, como diriam o Van Dame e o Igor Neumann, “retroceder nunca, render-se jamais”. Então, ao chegar ao recinto e ver uma pobre mocinha indefesa sentada – provavelmente ao lado da mãe do aniversariante – sem nenhum macho de oito nem de 28 anos no encalço, não perca tempo e aprochegue-se ali. Assunto pra iniciar uma conversa não vai faltar. Garanto-lhe que, por mais chato que você seja, a chance de ela te dar papo é grande.

Dica número 3:
Se você tem sobrinho ou afilhado ou algum imberbe diminuto em seu círculo social, provavelmente o máximo de informações que você tem dele são histórias engraçadas, curiosas e até fascinantes. Em um ambiente em que predominam debates acalorados sobre a melhor pedagogia, a melhor escola, o melhor remédio para golfadas, o melhor pediatra e o melhor jeito de fazer o moleque dormir, histórias leves fazem a diferença. Em vez de ficar resmungando ou calado, acabe com o clima “troca de dados importantes acerca da saúde de meus filhos” contando que seu sobrinho quebrou todos os discos do Djavan que a sua mãe tinha. Ou ainda que o filho do seu amigo chegou pra ele e disse: “Papai, você ainda é viado? Opção 1: sim; opção 2: não”. Enfim, fale merda, quase como se você estivesse numa roda de machos da sua idade – com algumas pequenas adaptações genealógicas. Lembre-se da teoria do “mundo da lua”.

Dica número 4:

Hoje em dia, com tanta gente casando – e separando um ou dois anos depois – com vinte e tantos e trinta e poucos, a quantidade de mães solteiras é incomensurável. Então, antes de achar que aquela gostosona que tá com uma criança é indisponível, tome vergonha na cara e pergunte pra quem sabe. São grandes as chances de ela ser solteira. E mãe solteira, meu amigo, é só alegria: experiente, dificilmente vai ter tempo de ser grudenta e com certeza sabe bastante de sexo.

Dica número 5:

Comportamentos erráticos devem ser evitados – tipo beber até vomitar em cima do bolo da criança – ainda mais porque o lugar está cheio de gente de família que se horroriza fácil. Mesmo assim, existem relatos verídicos de aniversários de pimpolhos em que há ofertas moderadas de cervejas, caipirinhas e afins. Mapeie o ambiente pra não ficar enchendo o pote sozinho e, de uma hora pra outra, se ver numa roda em que você não tem, nem com reza brava, nada a acrescentar em debates ferozes sobre 39,7 graus de febre e técnicas para combater a rinite alérgica dos pimpolhos.

Dica número 6:

Sempre tenha um plano B na manga. Mas, mesmo que a conjuntura esteja completamente desfavorável, encontre uma saída elegante para que sua escapada não soe como falta de consideração ao amigo ou amiga queridos. Se tiver chegado mais tarde, não custa nada esperar o “parabéns” pra fazer que nem botijão e vazar. Se chegou cedo, dê o presente, troque uma idéia com os pais. Nessa hora, uma pose mais séria, atenta e interessada – mesmo que não seja verdade – na conversa lúdica ajuda-lhe a somar pontos. E a evitar que você seja visto como aquele sujeito “tio velho” bobão, ainda que, de fato, ter filhos ou não, querer casar ou não, hoje em dia não definam absolutamente nada em termos de maturidade.

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